Geral

Márcia Goldschmidt

A Márcia tem uma história legal. Segundo consta da sua biografia não autorizada lá da Wikipedia, ela nasceu numa família pobre e foi morar em Paris, ali pela década de 80, onde trabalhou com o “agenciamento de artistas brasileiros”. Curto o eufemismo, mas na minha cabeça só consigo imaginá-la envolvida com cafetinagem.

Cansada dessa vida, retornou ao Brasil, deu um golpe do baú e casou com um suíço, de quem herdou o sobrenome chique: Goldschmidt. Quase o mesmo do amigo Tadeu. Já em terra brasilis, Marcinha montou uma agência de relacionamentos chamada Happy End e depois conseguiu um programa de mesmo nome na Rede Mulher.

Escreveu dois livros e um deles, veja só, também dedicado aos relacionamentos: Dicas para um Primeiro Encontro com Final Feliz.

Ela sempre foi uma pessoa que se empenhou em formar casais, por mais efêmera que fosse aquela relação de 2h entre uma putinha brasileira e um gringo. Mas algo aconteceu com Goldschmidt. Ela parou de se dedicar à resolução de problemas conjugais e passou a utilizar seu programa pra destruir relacionamentos.

marcia

Márcia virou o extremo oposto do amigo Silvio Santos.  Entrou numa vibe meio Dr. Abobrinha: primeiro tenta tomar a vaga daquele que fornecia binóculos e perguntava se era namoro ou amizade no palco em formato de coração, para depois a destruir relacionamentos.

Nessa tarde chuvosa do dia 10 de novembro de 2009, um casal cujo laço afetivo não era tão forte quanto as muralhas do Castelo Rá-tim-bum sucumbiu diante da VILÃ. Márcia colocou um polígrafo entre o casal composto por uma versão morena do Chrigor e sua quase futura esposa Marriete, a cara da amiga Miyadzu.

Se liga nas perguntas capciosas:

Márcia: você mentiu para conquistá-la? Chrigor: Sim. Polígrafo: verdade. Chrigor tenta se explicar: sobre condições financeiras, modo de trabalho.

O cara ganhou a guria no paparico, mas a Márcia fez questão de mostrar que ele é um 171. Tu trabalhavas com o que, Chrigor? Era traficante?

M: você se contenta com uma mulher só? R: Sim. Polígrafo: mentira.

Triste, Chrigor. Como tu caiu nessa? Todo mundo sabe que o homem algum se contenta com uma só mulher. Fala a verdade, cara. Deixa eu te ensinar: na hora da explicação, tu diz que deseja a Nana Gouvêa. Não a tua cunhada gostosa.

M: você já esteve com ela pensando em outra mulher? R: Não. Polígrafo: mentira.

Denovo aqui, Chrigor, mas deixava claro que tu te imaginavas com qualquer famosa menos a Fernanda Young.

M: você confessa que no início do namoro beijou outra mulher? R: Não. Polígrafo: mentira.

Chifrão, Chrigor. Como diabos tu tens coragem de passar por um polígrafo? Aí já nem sei mais.

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puro êxtase

Marriete diz que tudo acabou entre os dois. Bom trabalho, Márcia, menos um casal que vivia feliz na mentira.

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E24, Geral, Jô Soares

Jô, Ronaldo, Apagão e 192. Nessa ordem

Dizem que mudar é bom na vida. Então por que não me ajudaram semana passada a carregar a porra do meu guarda-roupas?! Bem, continuemos.

Havia preparado toda uma ladainha famigerada a respeito do reality show E24, da Band, semana passada. Como estava nesse processo, muita coisa se perdeu no caminho.

Não bastasse, um apagão de mais de 4 horas gerou um caos tão grande que mereceu inclusive transmissão de piadas ao vivo pelo Twitter.

Dando isso como desculpa, farei uma – grande – volta no Programa do Jô e depois pararei no Pronto Socorro.

Se liguem:

RRSoares
R.R. Soares: uma espécie de SAMU espiritual

Falar de TV aberta quando só se tem ela em casa soa quase como um ultraje. São tantos programas religiosos que consegui rezar um Pai Nosso inteiro só trocando os canais.

Mas o show não pode parar.

Assinei a newsletter do Programa do Jô com objetivo claro: desviar dos entrevistados banais. Se bem que tem dia que o gordo muda tanto o assunto que a gente já não sabe se está falando de neurociência, botânica, strip-tease ou dele mesmo.

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Jô: “Moto é pra louco” / foto do jornalista Silvio de Carvalho

Há uma dúvida que persegue a mente de muitas pessoas, embora quase nenhuma tenha interesse algum em saber: como o Jô limpa a bunda? E por que ele não para de tocar aquele minibongô constrangedor? Questões, para quem sabe, uma posteridade.

Sou fã confesso dele como ator/comediante. A figura de intelectual impregnada não me desperta tanto interesse quanto o sono do mesmo horário.

Ele, ao lado de Mesquita e Roberto Justus, são os baluartes do penteado cromado. Uma tendência pouco seguida no panteão televisivo, mas que impõe certo respeito. (Exceto o Otávio, pelo retrospecto).

O que mais chama atenção não é o entrevistado, as performances ou as piadas: são suas excêntricas roupas. Em um dos programas da semana passada, Jô estava particularmente fantasiado de cocô. Marrom dos pés à gravata – e olha que nem me passou pela cabeça fazer qualquer relação com o convidado da ocasião: Luiz Gonzaga Belluzzo, presidente do Porco.

Ultimamente o programa anda exumando algumas bandas. Acharam os Commodores em alguma vala fonográfica. Não entendi direito o delírio da plateia. Parecia até um bailão da 3ª idade. Segunda-feira, só para registro, trouxeram a Blitz e toda a jovialidade tardia do Evandro Mesquita. Que aturo muito como ator. Mas acho que, como muitos, não soube a hora de parar.

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Confissão: essas viagens aos anos 70 e 80 me dão enjoo

Ontem, para alívio da piada pronta, foi a vez de Ronaldo encher a atração. Minha dúvida era a óbvia: quem mandaria o “beijo do gordo” no final?

Logo no começo, Jô Soares pareceria querer mesmo empurrar o programa com a barriga. Já entrou trajado ridiculamente como um jogador de basquete. Tentou fazer uma alusão ao caso da aluna da Uniban que não consegui captar. O mesmo sentimento que tive quando tentaram expulsar a garota.

Logo que Ronaldo sentou no sofá, já era evidente: seria tietismo total. A chapa-branca comeria solta em dois blocos exclusivos com direito a exibição exaustiva de todos os gols do Fênomeno na temporada corinthiana + alguns lances de Copas passadas.

Um chupa-saquismo colossal, que só se amenizou quando Jô comentou o penteado vaginal de 2002. Aliás só ele, e pelos motivos óbvios, conseguiu enxergar um Ronaldo mais magro.

Jé era tarde quando resolvi parar de analisar o programa. Vejo que a cada dia que passa minha taxa de tolerância para televisão se dilui como escândalos políticos. Só que não consigo abandoná-la.

O que me conforta é uma coisa certa: enquanto eu puder desligá-la, a TV sempre será interativa.

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Pela primeira vez na internet brasileira um post sobre o Ronaldo sem piadas com travestis

Agora o 192 pega fogo!

Enquanto se dava o apagão, só sei que vocês perderam a equipe médica colocando parafusos em uma perna esfacelada no E24 da Band. Um dos melhores programas da TV aberta na atualidade, só perdendo para os lampejos de genialidade do Geraldo Brasil.

Há um bloco sempre dedicado à motoqueiros, que cai muito bem na atração. Aproveitando o gancho com o Jô Soares acima, uma frase dele é célebre a respeito de motocicletas e tombos: “elas só têm duas rodas, vocês esperariam o quê?”.

Quase 80 ocorrências por noite. Os corredores dos hospitais são uma verdadeira sinfonia de gemidos.

A médica cantou a pedra: trata-se de um problema de saúde pública. Em 15min mais ou menos de programa, já haviam dois motoboys devidamente cobertos naqueles alumínios de enrolar frango.

O E24 vale a pena por algumas coisas: você aprende noções básicas de trânsito, o que é um ferimento corto-contuso e que se houver sangue na região entre o pericárdio e o coração, é sinal de que a cirurgia precisa ser imediata.

Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão. Cardiologista quando opera, bota a mão no coração.

Vou encerrar minha estreia como crítico televisivo com uma frase de um motoqueiro deitado em uma maca, sem movimento nos membros, cheio de esparadrapos e falando com dificuldade:

“Desistir dessa vida loca nem pensá… É nois.”

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Huahahahahuahuhuahua

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Melhor do Brasil

Vai Dar Namoro – 07/11/09

Não espere eu ir embora pra perceber que você me adora, que me acha foda.

Não espere eu ir embora pra perceber que você me adora, que me acha foda.

Kanye estava certo. Beyoncé fez um dos melhores clipes de todos os tempos. Todos os tempos.

Jornalistas, críticos e blogueiros que se dedicam à música podem teorizar a vida toda sobre o que seria um pop bom ou um pop ruim, mas no fundo sabem ser um trabalho inútil.

O pop não precisa de análise. Se realmente pop for, o povo joga lá pra cima.

Existem vídeos na web protagonizados por jovens homossexuais de classe C dublando a música? É pop.

Virou frase de MSN das mulheres menos bonitas da sua lista de contatos? Pop de novo.

Single Ladies é tudo isso e mais um pouco. É referência para décadas, será tema de um ensaio retrô da Playboy em Março de 2022, estampará ímãs de geladeiras vendidos nas praças Benedito Calixto de todo o mundo. Será uma palavra na tua camiseta, o planeta na tua cama.

Rápido passeio na caçamba da Pampa.

Rápido passeio na caçamba da Pampa.

Quando quer, o pop destrói em segundos os frágeis aquedutos que abastecem sua própria estrutura.

E assim foi no último Sábado, 7 de novembro.

A performance (sempre sem sentido) realizada por Rodrigo Faro quando um casal se beija no quadro Vai Dar Namoro, dessa vez foi uma reprodução qualquer nota da coreografia de Single Ladies.

A troca de beijos entre os casais recém-formados, que teoricamente deveria sustentar a atração, foi novamente eclipsada pelo ego do apresentador.

O pouco masculino professor de dança Fábio, pegando a gatinha Andressa, representante da plateia, ficou em segundo plano.

Johnny, um indie perdido que cantou (mal pra caralho) o sucesso Tem Que Ser Você de Victor e Leo para conquistar as garotas, se deu mal por não ser uma sidekick de maiô preto.

Francinele, a mezzo gostosa que ganhou uma produção com roupas do magazine Torra Torra e que, quando perguntada se beijaria o seu barango, soltou a plenos pulmões um “OPA, DEMORÔ, VAMO CAIR PRA DENTRO”, essa também não conseguiu preencher um mísero rodapé na história.

O meu suvaco já encontrou um Natal econômico, agora só falta o seu.

O meu suvaco já encontrou um Natal econômico, agora só falta o seu.

Tudo por causa de você, Beyoncé.

Assim, Vai Dar Namoro continua rolando morro abaixo como um André Marques descontrolado.

Aquele sorriso de cumplicidade que a pegação marota desperta no telespectador, a constrangida torcida para que um ou outro participante forneça ou receba os amassos de seu par, são sensações que ficaram pelo caminho com a escolha de uma nova rota para a atração.

Oi, eu sou o décimo sétimo resultado do google imagens para a pesquisa Francinele.

Oi, eu sou o décimo sétimo resultado do google imagens para a pesquisa Francinele.

Rota que, provavelmente, pesquisas com telespectadores aprovam.

Daí ficamos nós, jornalistas, críticos e blogueiros de merda nos dedicando a teorizar em cima do pop, esse que, assim como as coxas da Beyoncé, não precisa ser analisado, mas apenas amado.


Now put your hands up

O Melhor do Brasil: Vai dar Namoro — Edição de 07/11/2009
1 de 5 camisetas agarradinhas da TNG com recortes de tecido aplicado

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Altas Horas

Altas Horas com Diogo Portugal

Tem algo fascinante nesse programa do Serginho. Eu gosto, acho, pelos motivos errados. Porque ele é a representação perfeita do mundo em que vivemos. É um pequeno “mundo em que vivemos” na sua telinha, todo sábado a noite.

Serginho Misto Eleazar

É assim. Várias partes, que não são necessariamente ruins, se juntam, simplesmente ocupam o mesmo espaço por algumas horas e formam uma coisa incrivelmente idiota.

O Serginho não pode ser tão idiota, ele tem uma história, eu acho. Lembro dele do Programa Livre, sempre foi assim? Aquela banda, as mulheres até devem tocar bem, não entendo disso. Elas devem ser “boas instrumentistas” e aquelas negras devem cantar bem. Os convidados, vai gente legal lá, às vezes. Aquela galerinha mais ou menos que vai assistir, deve ser legal tomar uma cerveja com alguns deles num final de semana.

Custo a acreditar que todas as partes são tão idiotas quanto o todo, sabe como?

Mas quando todos se juntam é algo hipnotizante. Aquilo deve ser de propósito, Serginho deve concordar comigo.

Aquela mulher vai falar de sexo e fazem as perguntas mais imbecis que existem. “Mulher pode morrer se assoprar na hora do sexo oral”, “meu amigo quer saber qual o problema com quem tem ejaculação precoce ehehehe”, e toda plateia responde aquele “aaaaaaaaaaah teu amigo sei teu amigo née’ééé”. Se no programa da Penélope as perguntas eram as mais absurdas tipo “sonhei q vi meu avô transando com um cachorro e minha tia tava olhando isso quer dizer q tenho problemas”, ali nos Altas Horas a coisa vai pro lado do idiota, do bobo.

Altas Horas

E sempre tem muita gente lá. Convidados de todos os tipos. É uma grande mistura. Serginho adora isso, essa coisa da mistura, do grande caldeirão. Ninguém combina com ninguém, é sempre um mais diferente do outro. E tem uns que ficam o programa inteiro, e mais vários revezando e ainda outros que entram no final do bloco. Esse sábado eu vi que tava rolando um desfile de moda com funcionários da Globo, ou algo assim, onde o tema era “Jovem Guarda”. Aí entrava lá a secretária não sei de onde, vestida de “Ternurinha”.

Que coisa babaca. Mas ainda não falei do principal dessa semana: Diogo Portugal.

Ah, a Bebel Gilberto tava lá também, eu acho.

Diogo Portugal

Diogo Portugal é um cara aqui de Curitiba. Ele é humorista, faz stand-up como há de ser, entre outras coisas do humor, tipo um personagem no Zorra Total, motoboy eu acho. Ele tem vários personagens. Todos os tipos que você (ou o seu tio) já pensou que poderiam ser um personagem, o Diogão faz. O motoboy, a empregada, o professor, você escolhe, ele manda ver, naquele belo sotaque curitibano. Ele é um humorista do povo. Um dia eu vi ele contando uma piada, ali no Altas Horas mesmo mas num outro dia, e era uma piada boa até. Acho que era algo sobre os furacões pegarem as pessoas desprevenidas lá nos Estados Unidos por causa do nome deles, Diogo acha que se em vez de “Andrew”, que é um nome bixa, eles se chamassem “Pedrão”, as pessoas iriam fugir se soubessem que o “Pedrão” estava chegando. Mas ele contou do jeito mais Tom Cavalcanti possível. Quando ele falou “bixa” ele imitou uma bixa, e quando as pessoas riram (porque o pessoal do Altas Horas curte as piadas da bixinha) ele imitou uma bixa muito mais e foi imitando muito muito mais. E toda a graça que a piada poderia ter se perdeu na imitação da bixinha. E a galera riu mesmo assim porque era uma bixinha afetada com sotaque curitibano.

Acho que o Diogo devia ter um quadro fixo lá, tamanha vibe positiva que rola. Ele podia ficar ali numa cadeira sentado com aquela cara de humorista, pronto pra fazer um comentário espertinho ou malicioso sobre o que os convidados fossem falando. Ou puxar o coro do “aaaaaaaaaah teu amigo curte fio terra néééééáé sei teu amigo ahaaaaaaaaan”.

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Comerciais

Prisão de ventre: é como tirar com a mão

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O grande problema do telespectador brasileiro é a prisão de ventre. A cada intervalo do horário nobre, o nada nobre intestino preso invade os milhares de aparelhos ligados no jornal, na novela ou no programa de fofoca. A mensagem é sempre a mesma: para ser feliz de verdade, seu corpo tem que funcionar como um reloginho. E isso só acontece quando você tomar regularmente Activia, Actimel ou qualquer genérico deles.

Mas pensou que prisão de ventre seria sinônimo de cara feia, de incômodo? Que nada! Para falar de algo que, apesar de natural e fisiológico, no mínimo cheira mal, publicitários do meu Brasil apostam em cenário sempre clean e em apresentadoras com dentes brancos e hálito puro, com cara de quem fazem cocô todo dia às 7h15.

Se a propaganda conta com entrevistados, todos estão maquiados e bem-vestidos, com uma diposição ímpar_ jamais fazem cara de ENFEZADOS. E ouvem de Patrícia Travassos: “Oi, tudo bem? E o intestino, como anda?” Porque é assim que a gente faz com meros conhecidos: pergunta pra eles, no segundo momento, se eles estão CAGANDO todo dia.

Quantos pontos pra realidade do assunto em questão, pessoal? Zero! Para completar, infográficos mostram a ação dos lactobacilos vivos no intestino que aparece sempre límpido e oco.

E, pra coroar, a maioria das marcas costuma propor um grande desafio pra você, brasileiro, que tanto gosta de pechinchar: tome o produto em questão por 15 dias e veja sua vida mudar radicalmente. Caso contrário, você terá seu dinheiro de volta. Alguém aí já tentou? Me conta, por favor!

Sonho com o dia em que as propagandas serão feitas para a vida real. No caso da prisão de ventre, uma sugestão: personagem viaja, segue o conselho da mãe (“Leve uma ameixa, minha filha, é tiro e queda, você nem vai estranhar um banheiro novo”), chega ao local de destino e mal consegue aproveitar os primeiros dois dias, simplesmente porque está ENTUPIDA. Depois de comer o suficiente para acabar com todo o espaço do seu organismo, toma um Activia de sobremesa. Vai ao banheiro e tem um momento de encontro consigo mesma, com suas entranhas. SOLTA O BARRO. Sai feliz e aliviada.

Outra cena possível: personagem está muito ansiosa porque tem um date, uma prova, uma seleção de emprego. Não há lactobacilo vivo que consiga expelir aquela maçaroca (aí usem a imaginação de vocês pra pensar na mistura). Ela faz tudo rapidamente, sem paciência. Pode até pegar o cara, mas não vai dar pra ele. Pode até passar na prova e conseguir o emprego, mas nada vai fazê-la mais feliz do que sentar na privada, abrir uma revista de um ano e meio atrás, colocar uma musiquinha e deixar que a natureza atue solenemente.

Tão simples, tão verdadeiro. Fica aí a sugestão, hein , pessoal? Por um intervalo comercial mais próximo da vida real. Mesmo que o assunto seja difícil de digerir.

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Programa do Gugu, Show da gente

As mulher do Neguinho e a queda do muro da Dona Lucinda

Neguinho

Neste último final de semana, tive uma experiência transcendental: assisti à TV aberta brasileira. SBT,  a emissora mais feliz do Brasil, capitaneada pela jovem Dani Bey, uma das pessoas mais animadas do Twitter. Curto essas pessoam que amam o seu trabalho, de verdade.

Foi assim:

Tudo começou no sábado, com o programa do Netinho. Era um concurso de pagode. Não tenho nada contra o gênero, sei que o Assis Chateaubriand deste portal é fã da parada, mas, enfim, era um concurso de pagode. Um dos jurados era o Neguinho da Beija Flor. Respeito o cara: vejo-o uma vez por ano, sempre sorridente na Sapucaí, embaixo do guarda-sol do verão carioca enquanto alguém grita ao fundo: BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS. NOTA… (respira) DEZ!”

Eu gosto do Neguinho.

Mas aí ele me canta, NUM CONCURSO DE PAGODE, isso aqui:

Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher

A mulher é a mulher
A mulher é a mulher
A mulher é a mulher
A mulher, a mulher
A mulher, a mulher!

Melhor que uma mulher
Só dez mulher
Só dez mulher
Melhor que dez mulher
Só mil mulher
Só mil mulher

Uma mulher, dois mulher,
Três mulher, quatro mulher
Cinco mulher, seis mulher
Sete mulher, oito mulher
Nove mulher, dez mulher

Profundo, né? Porra, o cara me sobrevive a um câncer. Daí você pensa que ele vai cantar algo sobre o caso, sobre sua história de vida… Eu até entenderia  se fosse algo do tipo: “Pulmão, pulmão, pulmão… Melhor que é um pulmão, só dois pulmão”.

***

Já no domingo, vi de relapso o Programa do Gugu. Sim, eu sei que é da Record, mas você pode tirar a pessoa do SBT, mas o SBT não sai da pessoa. Olha isso: eles mostraram a história comovente de uma mãe e de uma filha que passaram anos separadas por um muro. Tipo, era uma história triste bagaraleo:  uma velhinha de 91 anos, a Dona Lucinda, que não pode encontrar pessoalmente a filha Amélia. Elas são vizinhas, mas rolam uns entraves: a mãe tem problemas de locomoção e a rebenta  pesa 225 quilos, ou seja, sofre de obesidade mórbida e não sai cama. Foda, né? Mas prestem atenção na matéria, no gancho por trás dela.

Valendoooo…

1…

2…

3…

Sim, isso mesmo! Alguém mais lembrou da efeméride da queda do Muro de Berlim? Imagino a produção do programa na reunião de pauta:

- Então, o que temos para a semana que vem?
- Tem aquela história da Dona Lucinda, coitada…
- Aquela que está na gaveta há semanas? Temos que dar uma requentada nela!
- Hum… No final de semana que vem temos os 20 anos da queda do Muro de Berlim
- Porra, genial! Taí: temos um muro nas duas histórias!

Parabéns a todos os envolvidos, de boa.

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Superpop

SuperPop e como ficar em forma para o verão

Eu chego em casa mó tarde, todo dia. Entre 22h e 23h, no mínimo. E ligo a TV pra comer quando chego, sempre no canal 9, a REDE TV, que era a que mais crescia no Brasil – agora não sei, porque eles pararam de usar esse slogan.

Nesse horário, tá passando um programa chamado SuperPop, que você aí da poltrona, pai de família etc, já deve ter ouvido falar ou QUEM SABE visto um pouco um dia desses enquanto mudava de canal. Assim, pulando de canal, entre um e outro.

Eu nem posso dizer que assisto SuperPop porque tava mudando de canal e vi passando, porque o controle remoto da cozinha tá quebrado. Então eu estou fadada ao modo tradicional de assistir TV, ou seja, uma vez que escolho um canal, ele será meu canal por toda aquela refeição. E o SuperPop é minha escolha noturna de todas as refeições por uma série de motivos.

Primeiro porque é apresentado por Luciana Gimenez, que todo mundo diz que é burra, mas que eu acho bem esperta, porque não conheço ninguém burra que recebe 10 mil libras por mês por causa de uma única trepada.

Lembrando que a libra é mais cara que o euro e BEM mais cara que o dólar. E você que achava que não havia diferença entre ser groupie de uma banda americana ou de uma banda inglesa. Tolinho.

Segundo, porque tem um quadro em que o Ronaldo Ésper ALFINETA O LOOK de celebridades. Mas todo mundo finge ignorar o fato de que o Ronaldo Ésper é ladrão de vasos de cemitério. Acho que concordamos quando eu digo que uma pessoa que rouba vasos de cemitério não pode, sob nenhuma hipótese, achar que possui qualquer direito de dizer que o vestido de fulana é cafona. Cafona é querer decorar a casa com vaso de cemitério. E usar a palavra ‘cafona’.

bafo

se bem que posar na G MAGAZINE com um BUQUÊ DE ROSAS VERMELHAS escondendo o MEMBRO também tá bem cafona

Terceiro, porque o SuperPop tem um quadro com gostosas seminuas que se preocupa em agradar não somente aos homens, mas também às mulheres. Trata-se dos desfiles de coleções novas de lingeries de estilistas completamente desconhecidas. Enquanto modelos bem torneadas desfilam peças mínimas, uma tiazinha velha e caída explica a vibe da peça, a Luciana elogia o corpo da moça e o câmera dá zoom nas PARTES dela. Diversão pra família inteira.

esqueci de falar das babydolls

Se você somar a isso as enriquecedoras discussões entre semi-famosos e anônimos esquisitos sobre assuntos completamente irrelevantes, mas que podem ser considerados também temas atuais e polêmicos, verá que temos um show de humor e entretenimento de alta qualidade.

Supondo que nenhuma dessas qualidades incríveis te agrade (essa possibilidade é mínima, visto que você é um sujeito de bom gosto), ainda rogo que assista o SuperPop e confira o merchan da dieta de emagrecimento Dream Week. Os shakes e as barras protéicas te deixam em forma pro verão e são uma delícia!

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Melhor do Brasil

Vai dar Namoro – 24/10/09

A gente tem tudo pra dar certo.

A gente tem tudo pra dar certo.

É o quadro nobre de O Melhor do Brasil, show conduzido por Rodrigo ZY Bem Bom Faro, no começo das noites de Sábado na Record.

A mecânica para que os casais se peguem no palco tem algumas firulas, mas pode ser resumida como: 10 moças que ganharam escova grátis nos bastidores aguardam o cortejo de 10 rapazes trajando versões mais pobres da TNG.

Nos mornos minutos iniciais do programa deste Sábado, 24/10, o único destaque foi Thaís, a gordinha espevitada que encarnou o clássico papel da moça que pergunta o bairro dos participantes para ter nas mãos a carta do pé-na-bunda devido à distância.

Onde você mora? - Jardim Aretuza. - Ai, é muito longe, desculpa, fica pra próxima.

Onde você mora? - Jardim Aretuza. - Ai, é muito longe, desculpa, fica pra próxima.

Mostrando que possui cartão VIP de boate peroba, o maestro então soltou Pokerface de Lady Gaga para que o participante Felipe realizasse a clássica entrada do Pavão Psy no palco.

P-p-p-poker face, p-p-poker face (Mum mum mum mah)

P-p-p-poker face, p-p-poker face (Mum mum mum mah)

Respondendo às primeiras perguntas do apresentador, Felipe explica que já foi segurança de boate e que agora faz “umas performances aí”. Era a senha para que Rodrigo Faro e a assanhada plateia exigissem uma demonstração de rebolado.

Manda um abraço pra mim, Dayvid Braga.

Manda um abraço pra mim, Dayvid Braga.

Rythm is a Dancer ecoa no estúdio, Felipe recebe o espírito de Marcos Manzano e insere seu nome nos anais da atração, realizando memorável dança que nos lembra não apenas quem somos, mas de onde viemos e também a provável merda de lugar para onde vamos.

Em breves segundos, Felipe conquista o coração da participante Monique, que topa conversar e, quem sabe lá na frente, liberar um amasso no cara.

Na sequência tivemos alguns lugares comuns do programa: garotas recusando rapazes com a frase “hoje não, Rodrigo” e caras com luzes no cabelo sendo zoados pelo playboy Faro, certamente um almofada de vó que ia de Audi pra faculdade e forçava brodagem com o garçom do boteco.

Então chegou a hora de uma das sacadinhas que funcionam para formar os casais: jogam no telão as fotos dos pais de dois participantes e pedem que as meninas escolham um deles para que o filho entre no palco e tente encaçapar a bolacha com uma das garotas.

Essa semana as gatinhas escolheram conhecer o filho do Alfredão aí, ó:

oi quer tc quem curte bone

oi quer tc quem curte bone

Encerrando a primeira parte do programa, um adolescente com cara de Moema e roupas de Itaquera, formou par com Camila, uma das poucas do programa que você não precisaria passear na caçamba da saveiro para encarar.

Ah, tri, né?

Ah, tri, né?

Chega a hora da pegação. Agora saberemos quais casais trocarão amassos para, quem sabe, tornarem-se namorados.

[Aqui existe uma brincadeirinha sem graça inventada pela produção apenas para satisfazer o ego do artista frustrado Rodrigo Faro: cada vez que um casal se beija pra valer, o apresentador realiza uma dancinha com suposto teor de "mico" e que não faz sentido algum. No programa deste sábado, rolou uma insalubre imitação de Tiririca que não será comentada neste espaço.]

Eu quero mais é beijar na boca e ser feliz daqui pra frente.

Eu quero mais é beijar na boca e ser feliz daqui pra frente.

Retomando: após 3 ou 4 casais que não se entregaram à nenhuma torrente de paixão, Laísla e um mané sem nome foram os primeiros a amaciar o reco-reco e quebrar-se como se o amanhã não houvesse.

Os beijos seguiram até o já esperado baculejo entre Gogo Felipe e Monique. Ela, apesar de ter sido a primeira a tirar uma lasca da maçã, foi praticamente engolida pelo constrangedor símio que, ao ser questionado por Rodrigo Faro se retribuiria o beijo da sua princesa, respondeu como se deve fazer em final de micareta: “VAMO CAIR PRA DENTRO!”.

Comparando com os áureos tempos sob o comando de Bahuan, essa última edição foi das mais fracas, mas a esperança de que um novo Tchow apareça jamais morrerá.

O Melhor do Brasil: Vai dar Namoro -- Edição de 24/10/2009
1,5 de 5 calças jeans com aplicações de strass

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