
Não espere eu ir embora pra perceber que você me adora, que me acha foda.
Kanye estava certo. Beyoncé fez um dos melhores clipes de todos os tempos. Todos os tempos.
Jornalistas, críticos e blogueiros que se dedicam à música podem teorizar a vida toda sobre o que seria um pop bom ou um pop ruim, mas no fundo sabem ser um trabalho inútil.
O pop não precisa de análise. Se realmente pop for, o povo joga lá pra cima.
Existem vídeos na web protagonizados por jovens homossexuais de classe C dublando a música? É pop.
Virou frase de MSN das mulheres menos bonitas da sua lista de contatos? Pop de novo.
Single Ladies é tudo isso e mais um pouco. É referência para décadas, será tema de um ensaio retrô da Playboy em Março de 2022, estampará ímãs de geladeiras vendidos nas praças Benedito Calixto de todo o mundo. Será uma palavra na tua camiseta, o planeta na tua cama.

Rápido passeio na caçamba da Pampa.
Quando quer, o pop destrói em segundos os frágeis aquedutos que abastecem sua própria estrutura.
E assim foi no último Sábado, 7 de novembro.
A performance (sempre sem sentido) realizada por Rodrigo Faro quando um casal se beija no quadro Vai Dar Namoro, dessa vez foi uma reprodução qualquer nota da coreografia de Single Ladies.
A troca de beijos entre os casais recém-formados, que teoricamente deveria sustentar a atração, foi novamente eclipsada pelo ego do apresentador.
O pouco masculino professor de dança Fábio, pegando a gatinha Andressa, representante da plateia, ficou em segundo plano.
Johnny, um indie perdido que cantou (mal pra caralho) o sucesso Tem Que Ser Você de Victor e Leo para conquistar as garotas, se deu mal por não ser uma sidekick de maiô preto.
Francinele, a mezzo gostosa que ganhou uma produção com roupas do magazine Torra Torra e que, quando perguntada se beijaria o seu barango, soltou a plenos pulmões um “OPA, DEMORÔ, VAMO CAIR PRA DENTRO”, essa também não conseguiu preencher um mísero rodapé na história.

O meu suvaco já encontrou um Natal econômico, agora só falta o seu.
Tudo por causa de você, Beyoncé.
Assim, Vai Dar Namoro continua rolando morro abaixo como um André Marques descontrolado.
Aquele sorriso de cumplicidade que a pegação marota desperta no telespectador, a constrangida torcida para que um ou outro participante forneça ou receba os amassos de seu par, são sensações que ficaram pelo caminho com a escolha de uma nova rota para a atração.

Oi, eu sou o décimo sétimo resultado do google imagens para a pesquisa Francinele.
Rota que, provavelmente, pesquisas com telespectadores aprovam.
Daí ficamos nós, jornalistas, críticos e blogueiros de merda nos dedicando a teorizar em cima do pop, esse que, assim como as coxas da Beyoncé, não precisa ser analisado, mas apenas amado.
Now put your hands up
O Melhor do Brasil: Vai dar Namoro — Edição de 07/11/2009
1 de 5 camisetas agarradinhas da TNG com recortes de tecido aplicado
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Mas que roubada, cara. ESTRANHÃO.
E que legal hein… além de tido ainda complementou o modelito com um caprichado BLACKFACE.
naum gostei pois ela naum merecia isso
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