Assim como BBB, Xuxa e a maior parte da programação da TV aberta, o desfile das escolas de samba tem como principal função reforçar para o imbecil mediano que ele é um inteligente acima da média.
Algo ali naquela transmissão o atrai. As bundas, os carros alegóricos, o burburinho em torno das celebridades ou o conjunto todo: um universo que exige uma crítica ou opinião pessoal, já que está ali justamente para ser avaliado pela sua estética.
Para curtir sem culpa esse prazer, o médio precisa de frases e comentários que o coloquem acima daquilo tudo, uma posição confortável em que ele possa avaliar o que bem entender com uma espécie de permissão social concedida a quem tem consciência de que aquilo ali é uma merda e, por isso mesmo, possui autoridade moral para falar.
Não faça feio em 2011, escolha agora mesmo uma linha de pensamento e defenda-se de todo este mal.
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“Ah, todo ano é a mesma coisa, esses sambas são todos iguais e eles contam as mesmas histórias.”
[o que manja todo o histórico]
“Tem sempre negócio de Cabral rimando com carnaval e num sei que lá na Sapucaí.”
[o engraçadinho que arrisca uma observação mais aguçada]
“Essas mulheres só tão aí pra se promover!”
[aquela que descobriu sozinha todo o esquema por trás da indústria das rainhas de bateria]
“Pode reparar, o carnavalesco é sempre viado! Rsrs…”
[o mesmo que denunciou semana passada a homossexualidade de Zeca Camargo e Ney Latorraca]
“Eu não gosto muito de ver, mas olha, a [nome da escola] tava muito bonita mesmo, merece ganhar.”
[aquele que passou rápido pelo quarto da empregada e viu um pedacinho do desfile]
“Ah, eu gostei mesmo daquele ano que era o negócio do lixo, lembra? Tava muito bonito porque era diferente.”
[o que lembra que antigamente é que era bom e isso aí de hoje em dia não é mais carnaval]
“Eu acompanho pouco, mas sou Mangueira! Como é que tá a Mangueira, aí? Tava bonita?”
[o que acredita ser socialmente positivo declarar uma preferência sobre o assunto, mas como não entende nada, vai no óbvio]
“E aí, viu a Mangueira entrar? kkk”
[aquele que perde o amigo, mas não a piada!]
“Qual a graça desse negócio de apuração??”
[o que não entende como as pessoas podem se preocupar com isso e não estão lendo um bom livro]



















